sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tonho Crocco e o Teto (nem tão) Solar de Londres

Na minha última semana em Londres fiquei sabendo que o Tonho Crocco tava por lá trabalhando. Desde o hiato em que a banda Ultramen entrou em 2008, Tonho tá criando e gravando e projetando bastante coisa nova. Primeiro ele foi ao Brooklyn, em NY, para preparar seu lançamento mais recente, o EP Teto Solar (SMD, Julho/2008). O disquinho reúne quatro músicas inéditas com direito a um remix no final. Todos os cinco sons refletem bem as influências do Tonho, desde Bebeto até Stevie Wonder e Raggamuffin(!!).
O EP foi só a azeitona, porque o prato principal tá pra sair do forno e já tem até nome definido: O Lado Brilhante da Lua, que vai ser masterizado nos estúdios da Abbey Road em London. Tonho chegou na capital inglesa em julho e fica até setembro. Nesse meio tempo ele tem colecionado gigs em bares e festas brasileiras conhecidas lá no velho continente. É aí que eu entro. Ví no twitter do Tonho que ele iria tocar no bar Barraco, em Kilburn, e entrei em contato com ele. Na noite do mesmo dia tive o prazer de ouvir o "British Tonho", que em nada difere do "Brooklyn Tonho" ou do "Porto Alegre Tonho", mas o grande lance é o ambiente e a vibe que rola. Naquela noite tinham duas menininhas que atentamente ouviam o som, sentadas na frente do Tonho. Hipnotizadas com a seleção finíssimas de músicas tupiniquim do ex-Ultramen.
Nós aqui do Brasil vamos esperando oque o homem nos prepara. Ouvindo o trabalho clássico do Tonho, já dá pra ter certeza que a sequência não vai ser fraca. Mas por enquanto deixemos o cara lá sob o teto nem tão solar de Londres.




"Sempre que eu escuto o som do Crocco, eu me sinto uma máquina!" - Stallone curte o som do Tonho Crocco

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Peter Pan V.I.P - O exclusivo show do Kula Shaker

Bom, sem nenhuma enrolação vou falar aqui dessa que foi a segunda mais imortante apresentação do primeiro semestre aqui em Londres: Kula Shaker. O primeiro grande show do ano foi o do Paul McCartney no festival Hard Rock Calling no final de junho e eu nem de longe quero comparar as duas, mas com o Kula Shaker foi diferente. Pois bem: no dia 28 de junho foram lançados vários formatos do Pilgrim's Progress, o último trabalho dos caras. Quem comprou a limitadíssima edição em vinil, faturou também um ingresso pra ver o show exclusivo de lançamento do disco. Foram feitos também outros sorteios para definir quem ia ver o Kula no dia 8 de julho, ou seja, somente 800 pessoas no planeta assistiram ao show de Crispan, Alonza, Paul e Harry na última quinta-feira.
O lance todo rolou na Relentless Garage, um lugar bem equipado com um palco do tamanho necessário para ver o frontman Crispian Mills com uma energia fora desse planeta (talvez fosse porque ele não estava nesse planeta naquele momento). O show começou às 9h da noite e se estendeu por uma hora e meia, tempo o bastante pra eles tocarem várias do Pilgrim's e os clássicos do grupo. Primeiro veio Sound Of Drums numa performance totalmente maluca e que ditou o tom da maior parte do show. Destaque para a queda de Crispian sobre a bateria do seu colega Paul Winterhart. Fazia muito calor naquele lugar. Mas nem o calor parou a intensidade com que veio Under The Hammer, um single lado b raríssimo. A terceira da noite foi Die For Love, que antecipou uma sequência do último álbum dos londrinos. Peter Pan R.I.P, Ophelia, Modern Blues, All Dressed Up e Cavalry já estavam na ponta da língua dos fãs hipnotizados pelo som. Em seguida High Inner Heaven, que pode ser encontrada na versão de luxo do lançamento de Pilgrim's Progress. Pra encerrar as músicas do disco teve Winters Call, minha favorita dentre todas. O êxtase veio a seguir: Tattva, Hush e Hey Dude cantadas com o coro da sortuda platéia. A Relentless Garage virou um forno aquecido a mais de 42º. Depois de Hey Dude, pausa. A banda sai do palco e apagam-se as luzes. Todo mundo sabe que a banda sempre volta, sempre tem o bis. É até ridículo ficar pedindo. Depois de 5 ou 6 minutos eles voltam e quebram tudo com Hossanah e - adivinha só - "Govinda jaya jaya...". No final ainda consegui fotografar o setlist da noite, que você pode ver no final da postagem. E eu ainda me pergunto: "Será que não daria pra comparar o show deles com o do Paul? Não... O do Paul não foi exclusivo!"






quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ahhhh Linda

Hoje no voô que eu peguei de Frankfurt pra Londres tinha uma aeromoça inglesa chamada Linda. E ela era Linda mesmo. Morena com um penteado de aeromoça, olhos castanho-claro e atraentes e uma roupinha azul cor-do-céu.  Quando eu entrei no avião e ví a Linda recebendo as passagens, ví que além de de linda, ela tinha cara de braba. De toda a equipe de bordo, a Linda era a mais braba. Durante as instruções de segurança ela pediu silêncio aos passageiros. Eu nunca tinha visto isso! E a Linda ia e vinha e continuava com uma cara de braba. Irônicamente esse foi um dos voôs mais estranhos que eu já estive. Não sou de passar mal em viagem de avião, mas esse, com suas turbulências, me enjoou um puco. Inevitável não pensar que aquela porcaria pudesse cair. Mas era só olhar pra Linda que tudo se acalmava. Com toda sua brabeza, parecia que ela seria capaz de resolver qualquer problema que viesse a derrubar o avião. Parecia que ela pularia na asa e consertaria a turbina em pleno ar se fosse necessário. Parecia inclusive que não tinha piloto! Quando o avião pousou, dei tchau pra linda e ou vi um "Have a good day!" seguido de um sorriso padrão de aeromoças. 
Valeu Linda, tu é fera!
Aí algumas outras lindas da empresa que eu viajei, a Ryanair




"Não curto voar de avião." - Stallone não curte voar de avião

aeromoças - *****/2

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"Bloody hell mate, Stone's Exile on the fuckin' top!!"

É uma frase assim que tem passado na cabeça de vários ingleses desde a última semana, quando depois de 16 anos (a última vez foi em 1994 com Voodoo Lounge), os Rolling Stones voltaram ao topo do glorioso Top 40 britânico com o relançamento do classudíssimo Exile On Main Street, lá de 72. O grande lance da reedição são as 10 faixas que foram incluídas, tal como a inédita Plundered My Soul e versões alternativas pra clássicos como Lovin' Cup.   A nova versão vem em três formatos: CD normal com todas as 18 faixas originais, Cd duplo com as 10 faixas bônus e uma caixa de luxo com vinil, livro e um documentário em DVD além do documentário separado e por um preço bem camarada.

Acontece que para os ingleses, sobretudo para os londrinos, esse velho-novo lançamento dos Stones tem um gostinho especial. Foi aqui em Londres que eles fizeram os primeiros shows e molharam as primeiras calcinhas lá nos idos de 60. E esse lançamento causou um espécie de nostalgia nos fãs novos e velhos. Exemplo disso é a BBC, a principal cadeia de rádios da Inglaterra, tocar Rolling Stones todos os dias em suas principais emissoras, coisa que não acontecia há algum tempo. Desde a BBC Radio 2 e Radio 6 até as repetidoras no País de Gales e Escócia estão tocando as clássicas Tumblin Dice, Lovin' Cup e Have You Senn Your Mother Baby.

Hoje de tarde aproveitei pra dar uma bicada numa das inúmeras lojas de disco que tem por aqui. Cheguei no balcão e perguntei pro cara oque ele achava dos Stones estarem relançando o Exile e se ele curtia o disco. Ele deu um golé de chá e disse: "Mate, everybody just love how those old prick shake their butts. You gotta love them!". Imagina a felicidade desse cockney quando colocou denovo um Stones encabeçando a Top 40  na vitrine. Pois é.

Também tá n'Os Armênios

sexta-feira, 7 de maio de 2010

London@I'm an alligator!


I'm a mama-papa coming for you!
Cara aconteceu um lance muito doido essa semana comigo que eu tenho que relatar por aqui. Todo mundo sabe que Londres é famosa por juntar muita coisa boa do rock produzido desde 1960. Isso não é mais novidade. Isso tá calcado na estrutura da cidade. O que todo mundo sabe também é que determinados locais de Londres já foram usados como capa de diversos discos fodas da história da música. Vide "Animals" do Pink Floyd, "(What's The Story) Morning Glory?" do Oasis e claro, o classudíssimo "Abbey Road" dos Beatles para citar alguns. Pois bem, vamos aos fatos:

Estava eu caminhando pela Regent Street numa lazy thursday afternoon quando ví uma simpática e bem escondida ruela extremamente bem servida de restaurantes e bares na calçada. Como minha garganta clamava por uma cerveja gelada à temperatura ambiente, resolvi dar uma olhada. A "rua" não tem muito mais que 100 metros em toda a sua extensão. Escolhi um bar chamado Strawberry Moon e pedi um pint de Beck's. Já tinha bebido metade do copo quando sem nenhum motivo especial dou uma olhada ao redor dos prédios. Bem acima da minha cabeça a placa indicava o nome da rua, Heddon Street. Lí e fiquei pensando, "Heddon Street?". Em tempos de globalização, peguei o celular e procurei na internet pra me certificar. Sim, foi aqui mesmo que em 1972 o David Bowie tirava a foto que viria a ser a capa do seu mais célebre álbum: Ziggy Stardust And The Spiders From Mars. Por total força do acaso eu tava tomando cerveja a menos de 25 metros da onde o camaleão tirou a foto pra capa do disco. Um disco aliás, que figura entre meus Top 10 de todos os tempos. Feliz, parei em frente  porta Nº 23 e me senti estranhamente satisfeito. Fui-me embora pra casa.




Nº 23 na Heddon Street em 2010 e depois em 1972















segunda-feira, 3 de maio de 2010

London@London Music Stores

Aos que alimentam o consumismo musical like me, Londres é um paraíso em dois sentidos importantíssimos pra quem gosta de comprar música: tem TUDO oque você procura com um preço RIDICULAMENTE menor que o do Brasil. Gosta de black music dos filmes de blaxpoitation da década de 70? Tu encontra. Gosta de house music do início dos anos 90? Tu acha. Gosta de trilha sonora de desenho animado em fita cassete? Só tem aqui. Depois de um tempo caminhando pelas principais lojas de música você começa a sacar onde tem determinado tipo de som. Em Camden Town, tem tudo oque se pode imaginar de cd's e discos de trance, reggae, black music e muito punk rock. Claro que o rock é sempre presente já que isso daqui é a Inglaterra, mas pros bitolados que acham que aqui só tem rock, vocês tão completamente enganados. Agora se você rumar para o oeste da cidade, em Notting Hill, mais precisamente em um domingo na Portobello Road, garimpando bem nos sebos espalhados pelo bairro, dá pra encontrar maravilhas. Discos raros de bandas inglesas, gravações obscuras de grupos europeus, mixtapes de artistas underground de hip-hop, postêres, instrumentos musicais e muitas bugigangas. Com 50 libras tu compra uma bela quantidade de discos usados e um par de botas em algum brechó ali na volta. Agora, o lugar mais frequentado por gente com grana aficcionada por vinil é a Rough Trade, em Brick Lane. Cada coisa que não se imagina. Clássicos novinhos na capa ainda. Coletâneas raras e mais uma caralhada de coisa numa das ruas que ainda não foi totalmente descoberta pelos turistas. Vale uma visita com tempo.
Além de todos esses locais alternativos para comprar seu disquinho, tem também as sempre ótimos megastores. HMV mata a pau. Uma loja que engloba música, livros e tecnologia. Muita música eletrônica em cd e vinil. Muito cd de black, soul, funk. Rock em vinil e cd. Camiseta pros sobrinhos e livros sobre música que só se encontra aqui e por um bom preço. Hoje passei por lá e comprei dois vinis do Jay-Z. Paguei 10 libras pelos dois. Coisa fina. 

O Stallone anda sumido. Essa semana telefono pra ele voltar e nos brindar com seus comentários.

domingo, 2 de maio de 2010

London@London e o N7

Welly welly well...
Bueno, após algum tempo sem grandes idéias para novos posts resolvi mandar pro diabo o planejamento e escrever sobre coisas que rolam comigo por aqui, sem fazer relatos de viagem. Até porque uma ida até o Regent's Park já é uma baita viagem. Não de distância, mas sim nas sensações. E é aí que eu quero chegar: esse lugar inspira várias sensações malucas! Talvez eu não tenha me dado conta antes porque elas acontecem tão seguidamente que passam despercebidas.
 Que nem hoje, a poucas horas atrás. Estava eu pegando o bus N7 para voltar pra casa após uma sessão de Avatar e pizza na casa duns amigos. Man, as vezes não dá vontade de sair daqui! Sentar no segundo andar daqueles ônibus vermelhos e acompanhar a desertidão das ruas londrinas na madrugada é algo que só se faz quando se pega um night bus em Central London. Aquela Oxford Street que outrora tão cheia, só reúne os cacos que restaram das festas e dos pubs. Meninas de família expondo suas vergonhas em vestidos que a Rainha Elizabeth com certeza desaprovaria são uma visão normal. E gratuita! E isso se repete por quase todo o caminho, só mudam as figuras. Quando chega ali por Notting Hill começam a pintar uns rockers moderninhos. Cabelinho despenteado, calça apertadinha e jaquetinha de couro: Pete Doherty Generation. Gordas, negras, indianos, junkies... Se vê de tudo com o N7.
Mas também tem a parte romântica do percurso. Os bairros residencias, à noite, são bem bonitinhos. Luz nos postes, murinho de tijolo e nenhuma garagem em casa nenhuma. Quando começa isso eu sei que tô chegando perto aqui de casa. Aliás, hoje desci duas paradas depois da que eu estou acostumado, e vou fazer sempre isso porque é mais perto pra chegar no número 35 da Daffodil Street, meu muquifo.. Andar de madrugada é ótimo, mas até em Londres o olho é vivo.